terça-feira, 13 de abril de 2010

O DESAFIO DE ASSUMIR UMA POSIÇÃO.

É interessante o que as pessoas devem estar preparadas para vivenciar dentro das empresas, ou em qualquer tipo de organizações burocráticas, quando esperam ascender profissionalmente. Algumas situações podem nos levar a questionamentos éticos seríssimos que podem revelar o que somos capazes de fazer quando estamos dispostos a defender a nossa permanência numa estrutura hierárquica, que oferece muitas vantagens sociais, materiais e financeiras.

Independentemente de nossa vontade, somos colocados como concorrentes de nossos amigos e familiares quando nos lançamos em busca de emprego no mercado de trabalho, ao almejar um cargo público por meio de concurso ou ao tentarmos uma promoção. Nossas habilidades e conhecimentos são avaliados por critérios que, embora denominados científicos, não são completamente racionais, objetivos e neutros como pensava o nosso amigo Max Weber. Este autor, que alegava “neutralidade axiológica” da ciência, e por isso, presumia um maior profissionalismo e isenção na sociedade capitalista industrial, não contou que a rigidez das relações capitalistas e seu status revolucionário seriam definitivamente enterrados a partir do momento que o dinheiro e todo o poder que ele proporciona, fez nascer a vontade de controlar, acumular e concentrar o capital em poucas mãos.

Até onde somos capazes de enterrar os nossos sonhos, nossos valores, de menosprezar nossas amizades, de negar atenção e afeto a nossas famílias para ter poder! Quando devemos tomar a atitude de romper com a ordem autoritária estabelecida? Como devemos proceder quando percebemos que estamos nos afastando das coisas que realmente dão significado as nossas vidas: as relações, os afetos, a autoconstrução e desenvolvimento pelo trabalho criativo e humanizado?

O capitalismo e o espetáculo do consumo nos fascina, desejamos coisas e pessoas (também coisificadas), que representam sucesso, poder, o padrão de beleza. Somos diabolicamente seduzidos pelo supérfluo numa inversão de valores onde o que realmente importa é a satisfação imediata dos sentidos. Esquecemos-nos de observar as coisas e as pessoas simples, não valorizamos a sabedoria popular, desconhecemos e menosprezamos nosso passado e não estamos preocupados de fato com o nosso futuro.

Será que é preciso mesmo que coisas ruins aconteçam para que possamos parar e refletir sobre nossas vidas, pessoas que amamos e, desta forma, assumirmos uma posição?

Lutar pelo que acreditamos, expressar as nossas verdadeiras opiniões, que definem as nossas posições e tomar atitudes, num mundo que valoriza muito mais as aparências que as essências, pode ser uma temeridade quando avaliamos o que podemos perder com isso. Mas o que realmente importa? Esta, a meu ver, é a pergunta principal.

É preciso estarmos atentos a tudo, e felizmente, a arte, em todas as suas manifestações, nos auxilia nesse processo de auto-reflexão e humanização. Minha intenção é, durante os próximos dias, comentar alguns filmes que me fazem refletir sobre alguns aspectos da vida que considero importantes.

Leões e Cordeiros, com Robert Redford, Meryl Streep e Tom Cruise, nos faz refletir sobre as conseqüências dos nossos atos quando tomamos uma posição. E o mais importante, sempre tomamos uma posição, mesmo quando nos acreditamos neutros, isentos, pra não dizer em “cima do muro”.

Quando procedemos desta forma, quando ficamos “em cima do muro”, corremos o risco de sermos omissos e de compactuarmos com injustiças e preconceitos, o que é tão cruel e nefasto como agir assim. Somos levados a analisar que, dependendo da situação, quando nos pensamos cordeiros, na iminência de um sacrifício podemos nos transformar em leões ao tentarmos salvar a nossa própria pele!